quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Integração ou Inclusão?

A integração quando concebida, foi de grande avanço no atendimento a pessoa com deficiência, visto que até então, o que se propunha era a exclusão de toda ordem para aqueles considerados diferentes. Esta modalidade foi para as famílias que lutavam por uma vida melhor, uma enorme esperança de mais bem satisfazer todas as necessidades do filho com deficiência. Pois só de saberem aceitos nas escolas de ensino regular, já por si, dava uma conotação de pertencimento.
É Pereira (1980, p.3 ) quem a define:
“Integração é um processo. Integração é um fenômeno complexo que vai muito além de colocar ou manter excepcionais em classes regulares. É parte do atendimento que atinge todos os aspectos do processo educacional.”
Com a integração o indivíduo poderia se considerar integrante, pertencente, em uma educação sem estigmatização e sem segregação. Então, através de programas diversificados, aceitação da deficiência por todos os integrantes da comunidade escolar, além de políticas públicas para a construção de práticas sociais menos segregadoras, o individuo considerado na época, portador de deficiência estaria integrado na sociedade, a começar pelo espaço escolar. A visão de integração se assemelhava a de inclusão em muita coisa e até confundiam-se. Assim, o que antes era uma visão médica, ou seja, baseada no modelo clínico da deficiência, passaria a ter a visão educativa, com ênfase nas potencialidades e não mais na incapacidade; devendo ser emancipadora, mas com a busca de normalizar o deficiente. Porém, com foco nos índices de freqüência e não no aprendizado.
Por normalização entende-se, gerar acessibilidade às pessoas, em condições equivalentes àquelas que vivem de um modo geral na sociedade, tomando medidas com a finalidade de suprimir todo e qualquer tipo de rótulo que por ventura venha surgir. Logo, as crianças deveriam ser mudadas ou reabilitadas. Sendo, portanto, competência do aluno se preparar para integrar-se a escola.       
Em razão disso, o que tinha tudo para dar bons resultados, vem abaixo pelo simples fato de não ter sido colocado em prática o que estava no papel; ainda, ter deixado de fora um dos atores principais que deveria ser municiado de novas atitudes e competências para trabalhar com uma clientela tão especial. Ou seja, o profissional da educação, jamais poderia ser esquecido no processo. E o outro ator, ainda de maior relevância, o aluno, bem como a família, deveria ser respeitado na sua especificidade. Ao contrário disso, somente entrava na escola aqueles aptos para aprender, e se não tivesse pronto, deveria se esforçar para ficar, sob pena de não ser aceita.
Logo, a visão de Educação Inclusiva muda o foco de centralização, como anteriormente, quando a criança era vista como um problema e sua deficiência ressaltada, passando a ser um sistema de educação e ensino em que todos os alunos, são valorizados dentro da sua especificidade peculiar, que participam de todas as atividades, tanto na escola como na comunidade. Ou seja, a educação inclusiva trata o aluno como pessoa capaz de aprender, vê nele as possibilidades e não a deficiência; parte do pressuposto que todos têm, igualmente, a mesma oportunidade de acesso e permanência na escola, bem como o direito a aprender e participar da vida em sociedade, tendo ou não deficiência.
Inclusão, portanto, é inserir o sujeito de direitos, respeitando sua característica, com prática pedagógica capaz de educar a todos; que atenda sua necessidade educacional, em um ambiente propício ao aprendizado e nenhum tipo de discriminação, com foco na criança e com adequação física, metodológica e de currículo.
A inclusão vem opor-se o que antes figurava uma educação tradicional, denotando considerável diferença de conceber educação para todos. Na educação tradicional, o aluno deveria ser integrado a uma escola estática, isto é, eram eles os responsáveis por se adaptarem ao que já existia. Sendo, portanto avaliado da mesma forma, com os mesmos métodos, ou seja, escola e currículo não eram perturbados. Isto é, dependia do aluno a capacidade de adaptação às escolhas feitas pela instituição escolar, a sua integração. Aqui, quem não se emoldurasse era levado a classes especiais ou escola especial, sendo que muitos desistiam de estudar. Vale dizer também, que qualquer que fosse a diferença, o aluno era considerado aquele que não aprendia, necessitando de outro ambiente para estar.

Com a inclusão esse estereótipo desintegrar-se-ia dando lugar ao acolhimento de uma educação para todos, que se adéqua a cada indivíduo em particular. Pois, a educação inclusiva considera a deficiência como mais uma das características que deve ser levada em conta e respeitada em uma classe heterogênea. Nesse sistema de educação, todos se preparam para receber o aluno independente de sua característica, e ao recebê-lo, passa a se modificar a medida da necessidade dele, modificando também o ambiente e o currículo, com foco na aprendizagem. Não sendo esta, portanto, uma ocupação do aluno para com a escola e sim um aperfeiçoar de técnicas e atitudes da escola para o aluno e com exclusividade. Na educação inclusiva não existe separação de classe e a escola faz constante reflexão sobre a educação que é oferecida e os problemas enfrentados, buscando soluções coletivas para avançar no processo.

Fonte:
PEREIRA, Olivia et al. Princípio de normalização e integração na educação de excepcionais. In: Educação especial atuais desafios. Rio de Janeiro: Interamericana, 1980

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