terça-feira, 24 de março de 2015

AD1 Adolescência e Juventude

1 – Qual o sentido da infância para a adolescência?

A infância é uma fase que antecedeu e ficou para trás, porém, nas fases da vida humana, sendo de cunho muito importante considerar a ambiguidade com que sente e vivencia, na intermediação entre infância e fase adulta. Para a adolescência a infância é o referencial, o sustentáculo na entrada com deferência a fase adulta. É ela que irá fornecer uma base de sustentação para enfrentar o período de transição em um adolescer cheio de vigor, de dúvidas e conflitos para uma vida adulta equilibrada ou não, dependendo da maneira como esta transição se der. Pois, dependerá muito da forma como a infância foi conduzida e cuidada, se com afeto e atenção pelo adulto próximo, cria mais autonomia e se desprende da infância com segurança.
Assim, “é importante atravessar de forma satisfatória as etapas da vida infantil para ser possível gerenciar as ocorrências da adolescência no preparo para a vida adulta” (FARIAS, p.30)


2 – Qual a importância da entrada na escola para a criança?

 A escola é um espaço primordial no processo de desenvolvimento da criança e ao mesmo tempo muito delicado, principalmente pela separação da figura materna.
A entrada na escola transforma todo um contexto já vivido até então, para outro diferente, que vem trazer ainda mais autonomia, pela condução pareada de novas regras e exploração de novos ambientes. A criança que antes tinha nas brincadeiras e brinquedos seu suporte de aprendizagem, passa a incorporar novos deveres com outros tipos de tarefas, com a introdução do conhecimento científico.
São momentos difíceis, visto ser, mesmo que provisório, uma separação dolorosa. Porém, com a manutenção da confiança, gerenciada pela figura materna, consegue suplantar essa fase e adquire melhor desenvoltura e, ao mesmo tempo, cria mais independência quando se depara com outras possibilidades de troca de saberes. Tudo nessa fase se modifica, a criança passa a ter novas experiências com grupos diferentes, passa a ter contato com outras manifestações culturais que não o da própria família, aumenta o seu repertório de conhecimento.
Todo esse processo de conquistas irá auxiliar no momento do ingresso na adolescência, influindo na tomada de decisões, no poder de iniciativa e na capacidade de resiliência e alteridade. A convivência com outros grupos sociais implica em aquisições favoráveis à formação da personalidade e do caráter, sendo a intervenção da escola fundamental para a construção desse processo de maneira saudável, comedida e positiva. 

3 – Podemos considerar a maioridade como adolescência?

Antes da Constituição de 88 a maioridade era aos 21 anos, após a Constituição veio as mudanças na regra, reduzindo para 18 anos, culminando com a etapa final da adolescência. A maioridade penal traz à tona na sociedade, principalmente quando há divulgação de infrações e violências praticadas por menores, discussões acirradas, em torno do tema polêmico, que atualmente vem-se a debate com projetos de lei para reduzir para os dezesseis anos a maioridade, mudando completamente as regras que protegem o menor.
É sabido que aos dezesseis anos, o jovem está em pleno conflito na transição da infância para a fase adulta. Considerando um adolescente nesta faixa etária como sendo maior, sujeito a todas as penalidades na forma da lei, como qualquer adulto, é também considera-lo como um adulto. Quem conhece e convive com adolescentes, percebe a distância que há entre o pensamento de um menino ou menina nessa idade para uma vida adulta que querem imputá-los. Isso seria voltar a Idade Média, período em que crianças eram tratadas a revelia e abandonadas a própria sorte, sem nenhum direito de ser criança.
Claro que deve ser imputadas aos jovens, responsabilidades pelos seus atos, porém, além disso, precisam receber ensinamentos capazes de conduzi-los por caminhos saudáveis, educadores e seguros, com direitos de fato iguais a todas as classes, raças e etnias.  A história no mundo nos mostra as diferenças de tratamento e condução do adolescer em tempos e espaços distintos. Diante de diversas realidades, fica mais que provado, que reduzir a idade penal não dá garantia de mais segurança, punidade e saúde social. Dessa forma, maioridade e adolescência, considero, são palavras antagônicas, sendo essa fase da vida humana, singular e importante na transição, para um adulto próspero e, sobretudo ético.

4 – Quais as principais características da puberdade?

Os jovens sofrem enormes conflitos por não serem mais crianças e nem adultos, ou seja, são grandes e velhos para determinada coisa e considerados novos para outras. Isso acarreta distúrbios, demonstrados no comportamento, por vezes, traduzido na agressividade, angústias e muita insegurança, exatamente por não saberem o que vai acontecer, com tanto desconforto trazido pelas experiências novas. Também demonstram medo da responsabilidade e podem até fazer quadro de depressão por conta disso. Tudo isso associado a um turbilhão de modificações corporal trazendo ainda mais instabilidade a quem a inquietação já deixou tão fragilizado.
Nos meninos, por exemplo, aparecem os pelos pelo corpo inclusive a barba; aumento dos testículos e pênis; o crescimento das cordas vocais com engrossamento da voz; surgem os hormônios sexuais e com eles a primeira ejaculação. Já nas meninas seguem também as muitas mudanças e mais rápidas que os meninos. Há toda uma modificação no corpo, deixando para trás a forma de menina para dar lugar às formas de mulher com a definição da silhueta, do desenvolvimento dos seios e quadris, do surgimento dos hormônios sexuais e início do ciclo menstrual; também aparecem as secreções vaginais e junto o aparecimento dos pelos pubianos e axilares.
Essa transformação rápida no corpo masculino e feminino trás muito desconforto, principalmente quando aparecem as temidas espinhas, trazendo junto uma preocupação exagerada com o corpo e com ela uma crescente insegurança do como é visto pelos colegas. Na prática, buscam nesse sentimento, tecer comparações entre seus corpos, passando a se perceberem estranhos e até envergonhados.
A forma como lidam com a ansiedade vai depender dos estímulos recebidos pelo ambiente, que por sua vez, vai interferir significativamente no desenvolvimento de suas habilidades e competências.


5 – Podemos entender a adolescência como um momento de transição?

Essa é uma fase de transição entre a infância e a fase adulta, da qual ambos os gêneros passam por grandes dificuldades, necessitando de apoio, atenção e muito afeto para suplantar tantos desafios.

Nesta fase o adolescente se sente inadaptado ao meio social no qual se movimenta, sofre por não ser mais criança, por viver o luto do corpo infantil; mas também não tem habilidade estruturada e organizada para se mover com os jogos sociais dos adultos, portanto é um período intermediário entre duas fases extremamente importantes da vida: a dependência do período infantil e a responsabilidade da vida adulta.       (Machado, 2010)

Assim, enfrentam situações novas, cheias de conflitos, os quais necessitarão da presença dos pais e professores para o enfrentamento de um mundo, pra ele hostil, cuja transição de forma a vencer os obstáculos para novas experiências, dependerá do quão compreensivo serão as pessoas ao seu redor. Com muito diálogo, compreensão, respeito e acima de tudo muito amor, essa fase transitória passa, de forma saudável e natural, sem quaisquer sequelas, ficando somente as experiências vividas, como lembranças de um tempo que passou.


Fonte:

FARIAS, Francisco Ramos de. Adolescência e Juventude. V.1/Francisco Ramos de Farias. Rio de Janeiro:Fundação CECIERJ, 2013. 308 p.


MACHADO, Iara da Siva. Adolescência: fase de transição e conflitos. 2010. Disponível em: <http://neuropsicopedagogiaemfoco.blogspot.com.br/2010/05/adolescencia-fase-de-transicao-e.html>.